Sob o amadeirado teto
guardo fotos, retratos do que foi,
tingindo inocências
espero por aquele que nunca foi
tão pouco veio,
contudo o vejo em peito aberto,
sangrando coragens,
supersticiando por medos.
Sob o amadeirado teto
não posso mover, pensar tão pouco;
como posso mover o fogo? ah já não há.
A parede prende muito meu peito
sufoca o dia do amanhecer,
deixa escura a vontade deixa claro a solidão
converte a vontade em sofre...
guidão, paredes de contato e tetos de solidão
escondidas no peito a sufragar a pequena coragem
de revelar-se em meio a tantos fogos.
Sobre o amadeirado teto
o único alento: o fogaréu luzidio das estrelas
a alumiar os destinos vadios e covardes dos homens
[sem coragem.
por Shannya Lacerda
Natal, 22/ 05 de 2011.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
domingo, 15 de maio de 2011
Mulher
Das fronteiras, guardos os farrapos
dos caminhos, guardo os amigos
da vida, guardo a leveza cruel de existir
em minha condição super-hominizada de ser
posso fazer tudo
mil e um planos
inventar arcos, pular cerco
estirar cabelo, beijar amor
posso fazer mil artes
que a nenhuma entregarei
a vontade de continuar
deslizando nas curvas
advinhando as vontades
que só o diário mais íntimo conhece
sou mulher, sou feminil tigre
sou força, luta, veneno
sou vida, carrego no peito o fado
sou mulher, sou feminil tigre
não como não me cantar alegrias
pois aonde vou, vou motivando
cantos, festejos e companhias
pois sou vida, mulher, feminil tigre.
Shannya Lacerda
Em toda mulher... o desejo íntimo de acarinhar a vida, embalá-la e encaminhá-la faz-se presente
pois há o que se pode chamar de vontade de viver, de tomar a vida em mãos
e fazer dela o presente nunca ausente.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Metempsicose
Da casa vento
– Moradias encasteladas –
Vejo movimento
– De todos os que lá nunca foram –
Refaço e desfaço
– As imagens e histórias caiadas –
Tudo o que não há contento
– Deixaram-se por lá em fagulhas –
Deixo também eu, etéreo movimento.
por Shannya Lacerda
Natal, 11/05 de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
*Escultura de Patrícia Pontes, em trabalho com o manuseio do papel machê
Fostes ao espelho?
Voltastes a mim mesmo?
Aparentemente não te vejo,
mas reconheço-te
em cada suspiro, arrepio, festejo
de minha pele sobre teu vulto peito.
Derramo-me de pensar no vivo espelho
que cresce às luas,
que vive às marés,
que prenha-me de luz,
que afaga as horas vagas,
desejando-me esperanças,
no entanto, é espelho que não quebra.
É luz que não apaga.
Ideia sem volta nutrida
entre os almejos de vida e os órfãos da vida
por Shannya Lacerda
domingo, 20 de março de 2011
Literatura, música
Charme e beleza
Cortesias e gentilezas
Alfinetadas e avarezas,
Como pode o cantor
Com destreza cantar
A complexidade
Que acalenta o imaginário
Pensar humano
Cheio de rasuras, ranhuras,
Voltas e atropelos?
por Shannya Lacerda, em 20/03 de 2011.
*Tela de Lauri Blank, artista americana.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Rasga minha unha,
teu corpo inteiro.
Preciso acreditar
que a mancha rubra
no meu dedo
é a realidade tingindo
a minha vida por inteiro.
..............................................................
A história se repete.
A vida continua.
Mas o que
no espelho se reflete
é a miséria
da alma nua.
Shannya Lacerda
Assinar:
Postagens (Atom)





